Rock-In-Rio

Hoje é dia de Rock bebê!

Finalmente chegou o dia, mais uma edição do melhor festival de música do mundo!

Dez dias ininterruptos de muita música na capital Rio de Janeiro, um evento que deixa qualquer outro no chinelo. E o palco de 80 metros recebeu 15 atrações nacionais e 16 internacionais. Na plateia havia em torno de 1 milhão e 380 mil pessoas. Assim nasceu o Rock in Rio e Cidade do Rock, no mesmo ano que nos livramos da maldita ditadura militar. Coincidência? Eu acho que não.

Cidade do Rock / Rock In Rio 1985

Foi uma sacada de gênio ver a incrível oportunidade de liberar o grito de liberdade engasgado na garganta durante tantos anos em que os brasileiros foram reprimidos e calados pela maldita ditadura. O sentimento era de liberdade e felicidade com a chegada tão sonhada da democracia, que motivo poderia ser melhor para comemorar em grande estilo? O empresário e publicitário Roberto Medina lançou o Rock in Rio. Foi ou não foi uma grande sacada de marketing?

Segura essa bomba: O Rock in Rio nunca foi só rock!

Ok podem esbravejar, me julguem até. O que eu sei gente é que 98% das atrações eram de bandas de rock, mas 98% não são 100%. Então sim, o RiR nunca foi só rock! Eu coloquei mais abaixo a programação das apresentações que rolaram em janeiro de 1985 no RiR. Esses artistas não diminuíram o evento, muito pelo contrário né.

Naquele momento o rock estava no auge, então faz todo o sentido ter no nome do festival “Rock” e a grande maioria das atrações tocarem o bom e velho Rock and Roll.

Eu queria ter visto a cara dos roqueiros tupiniquins quando viram o Iron Maiden pela primeira vez no Brasil, deve ter sido massa toda aquela emoção.

Vale até destacar alguns momentos memoráveis, entre as bandas que se apresentaram em 1985, duas se destacaram mais. Uma delas foi Queen comandada pelo vocalista Freddie Mercury e a outra banda foi o Barão Vermelho com Cazuza. Eu bem que gostaria de estar lá nesse dia mais eu ainda era um bebê.

O primeiro momento foi comandado pela banda Queen com o vocalista Freddie Mercury que tornou histórica a performance de “Love Of My Life” embalada pelo coro brasileiro. O segundo momento incrível ficou por conta de Cazuza, ele reforçou o momento histórico vivido quando durante a performance de “Pro dia nascer feliz” aproveitou para mencionar a eleição do então presidente Tancredo Neves que aconteceu no mesmo dia: “Que o dia nasça feliz para todo mundo amanhã. Em um Brasil novo, uma rapaziada esperta.”

Dá um confere na programação de 1985 e nos vídeos dos shows mais memoráveis: 

Programação Rock in Rio – 1ª edição em 1985

Com o sucesso pica das galáxias do primeiro RiR, é claro que Medina investiu na segunda edição em 1991 que aliás, fez tanto sucesso quanto a primeira edição. Houve uma pausa de 10 anos até a volta do Rock in Rio ao Brasil em 2001 com todo o gás. Sempre esgotando os ingressos na primeira semana e até nas primeiras horas.

Mas por que cargas d’agua as pessoas continuam cobrando que tenha somente rock no Rock in Rio que não é feito só de rock?

Com o retorno do RiR em 2001, Medina sempre sagaz achou muito arriscado ter somente rock em sua programação. Claro, para decepção geral dos roqueiros de plantão (eu acredito que isto já deveria ter sido superado com a chegada dos anos 2000 e a pluralidade de ritmos e gêneros musicais).

“Conseguimos o mais difícil. O Rock in Rio proporciona experiências inesquecíveis pra todos os públicos. Nos palcos têm metal, pop, rock, MPB, tem de tudo.”  Roberto Medina Fundador e diretor do RiR

Eis que a fúria contra o RiR Pop deu pano pra manga… Momentos memoráveis, vaias memoráveis, o RiR em seu momento casos de família.

  • Na primeira edição em 1985, as vaias foram para Ney Matogrosso que por sorte não estragaram sua apresentação.
  • Na segunda edição em 1991, as vaias foram para Lobão, o coitado foi escalado para tocar justo no “dia do metal”, o Sepultura tinha acabado de fazer um show épico. Além das vaias, a galera jogou no palco muitos copos plásticos, moedas e tudo que os roqueiros tinham em mãos eles jogavam nele. Lobão reagiu e xingou o público: “Vão tomar no c… seus babacas” e logo depois deixou o palco. Coitado gente.
  • A terceira vaia foi para o Carlinhos Brown em 2001. Ele foi alvo de garrafadas e mesmo assim gritou: “Eu não jogo garrafas, eu só jogo amor”. Carlinhos só conseguiu aumentar a fúria do publico que continuou lançando coisas no palco.

Os protestos contra o Rock in Rio mais pop não pararam por aí, tem mais barraco. Isso tá melhor que casos de família…

Grandes bandas de rock brasileiras decidiram boicotar o RiR na edição de 2001, estavam bem descontentes com os organizadores. Então, resolveram não tocar quando faltava apenas quatro meses para o início do festival.

O motim foi liderado pelo O Rappa e seguido por Skank, Jota Quest, Raimundos, Charlie Brown Junior, Raimundos e Cidade Negra. O festival precisou rebolar para reformular o cast, talvez tenha sido assim que o axé chegou ao RiR e Ivetinha Sangalo também hahaha. Você convidaria essas bandas para tocar novamente no seu festival? Ira! e Ultraje a Rigor traíram o movimento e realizaram seus shows normalmente e no fim fizeram um dueto.

Na tentativa de amenizar os ânimos, tendas foram criadas dentro do RiR e também o Palco Sunset para popularizar outros ritmos no festival, onde outros estilos pudessem ser feitos, como música eletrônica, pagode, axé, blues, jazz, samba, MPB. Havia também arte urbana, dança de rua e movimentos bem populares.

Não é fácil manter rentável um festival nas proporções do Rock in Rio, então se eu posso ter fãs do sepultura e da Ivete Sangalo comprando ingressos e consumindo por quê manter programações como “O dia do metal”?

O rock está na ‘atitude’, não só no som, afirma o Músico e curador Zé Ricardo, a intenção dele é quebrar paradigmas.

“É muito curioso. As pessoas se apropriaram do Rock in Rio como se fosse uma seleção brasileira”, afirmou em entrevista ao G1. “Sempre aparece alguém falando para mim ‘Que absurdo, cadê o rock?’. Mas nunca foi um festival só de rock.” Afirma o curador do Rock in Rio Zé Ricardo.  “Ele afirma que o RiR não é um evento dedicado apenas ao rock and roll.”

Veja as opiniões da galera do metal sobre o RiR Pop:

Rafael Bittencourt, guitarrista do Angra “acho que o festival está caminhando para ser uma coisa cada vez mais popular. Ele acrescenta ainda, o Rock in Rio é um festival muito grande e que ultrapassa fronteiras de público.”

Paulo Baron, empresário de bandas de metal “Isto se chama show business, não “show metal” ou “show rock”. A gente tem que deixar o romantismo de lado.” Gostei de você Paulo, bem realista e pé no chão, meteu logo a grande verdade. Afinal, é preciso levar para o festival quem paga as contas do festival.

Fernanda Abreu, cantora “Eu entendo os roqueiros, de verdade. Afinal de contas, a expressão ‘Rock’ está no próprio nome do evento. No entanto, o Brasil é um País com uma variedade musical gigantesca e seria cruel fazer um encontro desse tamanho dedicado a apenas um estilo.”

Enfim, a sétima edição no Rio de Janeiro começa hoje dia 15 e vai até 24 de setembro, no Parque Olímpico. E aí, vai?!

Mais será sem a presença da Lady Gaga por motivos de saúde, ela se desculpou com os fãs que estão bem chateados. Bem que a Anitta poderia substituí-la mais foi esnobada. Um erro gritante!

Aliás, foi uma grande mancada da produção não contratar a Anitta para o RiR. Mesmo com o discurso de que o festival é diversidade, a diva brasileira mais pop da atualidade ficou de fora do RiR por conta do gosto pessoal do fundador do evento. O empresário Roberto Medina, criador do Rock in Rio, disse em entrevista ao jornal Folha de São Paulo: “Não tenho afinidade com a música dela, não achei que encaixava…Não tenho nada contra, estou conversando com ela”. E disse ainda “Estou trabalhando uma ideia de fabricar uma favela dentro do próximo festival. Colorida, mais bonita, mais romântica, para ter música da favela, fazer uma seleção (de artistas) nelas, empolgar o pessoal de lá.”

Medina, vamos combinar uma coisa? Não faça e não fale mais besteiras…os fãs da Lady Gaga pediram em coro a participação de Anitta para substituir a diva internacional. E pare de falar em favela romântica, fica parecendo que sua afinidade não bate muito é com as questões sociais.

E para quem já está no Rio de Janeiro, se prepara pois vai ter muito o que curtir na Cidade do Rock e suas novidades, que aliás  são muitas. O Rock in Rio deixou de ser somente um festival e tornou-se uma marca, com isso quer promover sempre o melhor espetáculo.

O mapa em 3D da Cidade do Rock no Rock in Rio 2017 – Rock in Rio-Divulgação

Um ótimo rock para quem vai curtir ao vivo o RiR! Aproveitem bastante, depois só daqui a 2 anos.

E pra quem ficou em casa como eu, os shows serão transmitidos ao vivo pelo canal http://multishow.globo.com

Durante a semana você confere várias curiosidades sobre o Rock in Rio, perde não! Fica ligado aqui no blog.

Depois me conta o que achou do rock bebê, beijos da Mih.

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